Funcionamento do Sistema Bitcoin

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Muito tem se falado sobre a valorização surpreendente alcançada pela moeda Bitcoin no presente momento e
se você está minimamente inteirado sobre o mundo dos investimentos,
certamente ouviu falar sobre Bitcoin e pesquisou sobre sua cotação.

Ocorre que poucos sabem de fato o funcionamento dessa criptomoeda, tema abordado pelo presente artigo.

Durante
muito tempo os seres humanos utilizaram-se de commodities
como dinheiro. Por exemplo: na região do Mar Mediterrâneo usava-se
o
sal,
daí as atuais palavras: salário (português), salario
(com
a mesma grafia em italiano
e espanhol) e salary
(inglês). Também os animais desempenharam papel fundamental nas
transações comerciais antigas: a palavra portuguesa “pecuniário”,
deve
sua associação com o dinheiro por
derivar
do termo em
latim
pecuniarius,
com
o significado de “riqueza em gado”.

Posteriormente,
o dinheiro se
constituiu em
metais preciosos, principalmente,
ouro
e prata. Em
relação à criação oficial de moedas por meio do Estado, foi
apenas no
Século Sétimo
antes de Cristo que os Lídios e os gregos criaram a cunhagem padrão
de moedas. No Século XIV
iniciou-se
a atividade dos bancos comerciais, como o famoso Banco da família
Médici, de Florença (atual
Itália),
expandindo o
envolvimento com finanças, comércio e manufatura de múltiplos
Estados. No
período atual,
o dinheiro inclui notas, moedas, cheques, contas bancárias, títulos
de crédito,
cartões de crédito etc.

É
possível verificar o crescimento do uso de moedas virtuais em
diversas atividades, envolvendo pessoas físicas e jurídicas,
Certamente
o surgimento de tecnologia baseada em algoritmos criptografados em
transações financeiras, como a tecnologia da Blockchain
(cadeia de blocos, em inglês) representou uma reação inovadora à
falta de limites e regras, e também à busca de estabilidade no
valor das moedas, sendo
a
bitcoin uma criptomoeda capaz de subverter ou transgredir a
regulamentação jurídica de estados nacionais e agentes financeiros
globais, estando
esses restritos a
determinados territórios mundiais.

A
possibilidade de criar um sistema financeiro distribuído,
sem autoridades centrais, foi o principal objetivo dos
desenvolvedores da tecnologia das criptomoedas. O Bitcoin
é o principal exemplo da aplicação dessa tecnologia e é
considerada a primeira moeda digital na história humana que não
requer uma autoridade central de controle, contando
com protocolos criptográficos, além
de
uma rede distribuída de usuários para “cunhar”, armazenar e
transferir esta criptomoeda. O esquema foi sugerido pela primeira vez
em 2008 por Satoshi Nakamoto (um
pseudônimo),
mas tornou-se totalmente operacional apenas em janeiro de 2009. Desse
modo, bitcoins
são moedas digitais que
não são emitidas por nenhum governo, banco ou organização.

O
Bitcoin é um sistema de “caixa eletrônico” descentralizado que
usa redes peer-to-peer (P2P),
assinaturas digitais e provas criptográficas para permitir
pagamentos entre partes sem depender da confiança mútua. Os
pagamentos são feitos em bitcoins, que são moedas digitais emitidas
e transferidas pela rede Bitcoin. Os nós transmitem transações
para essa rede, que as registra em páginas da Web publicamente
disponíveis, chamadas de Blockchains, após validá-las com
um sistema de prova de trabalho.

No
artigo de Sakamoto (2008), ao descreve a estrutura da rede bitcoin, é
especificado o modo de funcionamento da Blockchain: cada nó adiciona
cada transação em um novo bloco; os nós iniciam a prova de
trabalho; anúncio do resultado da prova de trabalho; o resultado é
aceito se o enigma foi resolvido ou negado, se a resposta estiver
incorreta; processo se repete para outro bloco. Essa descrição leva
a Blockchain a funcionar como – tomando emprestado um termo da
Contabilidade – “livro-razão”, ao
registrar
todas as operações realizadas com as
bitcoins.

Assim
como a internet, de abrangência global, a produção e o uso de
moedas virtuais necessita também de uma complexa infraestrutura
crítica de redes tecnológicas, de energia elétrica e de
tecnologias da informação e comunicação. Essa infraestrutura nem
sempre é visível aos olhos de seus usuários. Nesse sentido, a
produção de bitcoin, uma moeda do ciberespaço (por
ser uma tecnologia P2P),
requer
uma grande quantidade de consumo de energia e processamento de dados
para processar as diferentes formas de criptomoedas.

Essas
transações de bitcoin ficam registradas em blocos que se ligam como
correntes. Cada elo dessa corrente é ligado ao próximo por meio de
cálculos matemáticos (chamados hash),
deixando transparente, dessa forma, toda a movimentação financeira
da moeda. Comparando com as moedas convencionais, seria como se cada
transação de bitcoin gerasse uma cédula naquele exato valor da
transação. Assim, se o usuário precisar fazer uma nova negociação
que seja diferente do valor que ele possui em sua carteira, o sistema
destrói aquela “cédula” inicial e cria duas novas “cédulas”
nos valores respectivos para pagamento, além de “troco”.

Dentro
dessa estrutura, cada transação recebe um carimbo de tempo que
impede que o valor seja duplicado. Com o controle de carimbo de
tempo, as transações são processadas seguindo a ordem cronológica
e a duplicação de valores é automaticamente rejeitada pelo
sistema. Todas as transações são públicas e podem ser
monitoradas, garantindo, assim, a confiabilidade de toda a cadeia de
transações.

Esses
novos blocos se ligam aos blocos anteriores, criando a cadeia da
Blockchain.
Esse histórico de transações cresce rapidamente, obrigando que
novos cálculos de autenticação de blocos gerados obriguem os
mineradores a utilizar um poder computacional cada vez maior. Como as
transações são encadeadas na Blockchain,
a tentativa de autenticar uma transação inválida implicaria
no uso da prova de trabalho para toda a cadeia de blocos. Esse
recálculo de várias provas de trabalho para incluir um bloco
inválido exigiria um poder computacional imenso, garantindo,
novamente, dessa forma, a idoneidade das transações autenticadas.

O
ato de “minerar” bitcoins implica no processo de adicionar
registros de transações na
Blockchain.
Conforme anteriormente
explicado,
a
Blockchain
serve para confirmar transações para publicação em toda a rede e
para
distinguir transações legítimas de tentativas de reúso de moedas.
A mineração é intencionalmente feita para utilizar de maneira
massiva os recursos de um
computador, o qual,
ao resolver os extensos cálculos –
necessários para autenticar uma
transação – recebe
bitcoins em troca dessa atividade, como
se fosse um processo de mineração como
os do
“mundo real”.

A
primeira transação em um bloco de um novo bitcoin, que
será posteriormente adicionado a uma
Blockchain,
é
de direito do computador que autenticou aquele bloco, permitindo a
entrada de novos bitcoins no sistema. O montante total de bitcoins
aceitos no sistema é de 21 milhões. Em
razão da constante mineração, da mesma forma como ocorre com os
minerais do “mundo real”, a cada ano
cresce a
dificuldade em obter novos bitcoins.

Considerando
que as transações de bitcoin
não podem ser autenticadas por um único nó (ou minerador), essa
pessoa deve se conectar à Rede
Bitcoin
por meio de outros nós para obter cópias de outros blocos e o
carimbo de tempo. Essa conexão permitirá que esse minerador obtenha
a versão da
Blockchain
atualizada e proceda aos cálculos para validar aquela transação. É
possível que nós fraudulentos tentem confirmar transações falsas,
por meio da inserção de vários outros nós fraudulentos, que criam
uma rede de mineradores que tentam inserir blocos falsos no
Blockchain.

Ao
contrário da moeda convencional, que foi declarada legal pelo
governo de determinado Estado-Nação e, apesar de o fato de não ter
valor intrínseco e não ser respaldado por reservas de nenhum
Estado, o Sistema Bitcoin não possui uma autoridade emissora
centralizada. A rede está programada para aumentar a oferta
monetária em uma série geométrica, que cresce lentamente até que
o número total de bitcoins atinja o limite superior de 21 milhões
de bitcoins.

É
importante, ainda,
notar que as transações na Rede
Bitcoin não são denominadas
transações em
Dólares,
em
Euros
ou em
Reais,
como são por
exemplo,
pelas plataformas
PayPal ou Mastercard; em vez disso, são denominadas “transações
em
bitcoins”. Isso torna o sistema Bitcoin não apenas uma rede de
pagamentos decentralizada, mas também uma moeda virtual. Sendo
que o
valor da moeda não deriva do ouro ou de algum decreto governamental,
mas do valor que as pessoas lhe atribuem. O valor em reais de um
bitcoin é determinado em um mercado aberto, da mesma forma que são
estabelecidas as taxas de câmbio entre diferentes moedas mundiais.

A
respeito das tecnologias
atuais, poder-se-ia
dizer que
permitiram reinventar o sistema financeiro, apesar
de

terem ocorrido tentativas prévias de projetar tal sistema, mas todas
falharam por conta de uma ou ambas das seguintes razões: I) eram
usualmente propriedade de
uma empresa comercial e, portanto, apresentavam um ponto centralizado
de falha; II) não superavam o chamado problema do “gasto duplo”.
No Sistema Bitcoin, as
transações são verificadas, e o gasto duplo é prevenido, por meio
de um uso inteligente da criptografia de chave pública.

Tal
mecanismo exige que, a cada usuário, sejam atribuídas duas
“chaves”: uma privada, que é mantida em segredo, como uma senha;
e outra pública, que pode ser compartilhada com todos.
O Bitcoin, por outro lado,
é
absolutamente não reproduzível e construído de tal modo que seu
registro histórico de transações possibilitava que cada unidade
monetária fosse conciliada e verificada no decorrer da evolução da
moeda.

Ademais,
e o que é essencial,
a moeda reside
em uma rede de código-fonte aberto, não sendo propriedade de
ninguém em particular, removendo, assim, o problema de um ponto
único de falha. Há
outros elementos também: a criptografia, uma rede distribuída e um
desenvolvimento contínuo tornado possível por meio de
desenvolvedores pagos (em
bitcoins) pelos serviços
de verificação de transações por eles providos.

Assim,
ter-se-ia
agora uma (pretensa) moeda internacional emergente, criada
inteiramente pelas forças de mercado, sem a participação de
governos nacionais. O sistema monetário
está
sendo reformado, não porque bancos centrais o desejem, não por
causa de uma conferência internacional, tampouco porque um grupo de
acadêmicos se reuniu e formulou um plano. Está sendo reformado, na
verdade, de fora para dentro e de baixo para cima, baseado nos
princípios do empreendedorismo e das trocas de mercado.



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