‘Não participo de nenhum gabinete paralelo’, diz Nise Yamaguchi à CPI da Covid

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Nise Yamaguchi

Crédito, Jefferson Rudy/Agência Senado

Legenda da foto,

Yamaguchi disse ser ‘colaboradora eventual’ de gestão Bolsonaro

A médica Nise Yamaguchi disse à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, nesta terça (1/6), que “desconhece qualquer gabinete paralelo” de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro sobre pandemia e que é “uma colaboradora eventual”.

“Não participo de nenhum gabinete paralelo”, disse Yamaguchi, apesar de admitir que participou “como convidada” de uma reunião com o comitê de crise interministerial, presidido pelo general Walter Braga Netto.

A médica afirmou que esteve com o presidente “umas quatro vezes” e que nunca teve encontros privados com Bolsonaro.

A Comissão tem investigado quem faz aconselhamento médico e técnico a Bolsonaro sobre a pandemia desde que os ex-ministros da saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich afirmaram na CPI que o presidente não se aconselhava com eles.

Outros nomes que fizeram aconselhamento a Bolsonaro também serão convocados na CPI nas próximas sessões. Entre eles o empresário Carlos Wizard e o ex-assessor especial da Presidência Arthur Weintraub.

Nenhum deles ocupou cargo oficial no Ministério da Saúde, mas todos participaram de eventos e reuniões oficiais com Bolsonaro para tratar de assuntos relacionados à pandemia.

Yamaguchi foi convidada depois de seu nome ter sido citado pelo presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, em seu depoimento aos senadores.

Barra Torres afirmou que houve uma reunião no Planalto na qual foi discutido alterar por decreto a bula da cloroquina, para que o medicamento passasse a ser indicado contra a covid-19. Yamaguchi estava presente, segundo Barra Torres e Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), ex-ministro da Saúde, que também falou à CPI sobre o encontro.

A bula acabou não sendo alterada, explicou Barra Torres, porque a Anvisa só pode fazê-lo após análise a pedido dos fabricantes dos remédios – o que não aconteceu no caso da cloroquina, já que o remédio não tem eficácia comprovada no combate à covid-19.

Imunidade de Rebanho

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) exibiu dois vídeos em que Yamaguchi defendia a tese de criação de imunidade de rebanho sem vacinas no caso das vacinas.

A estratégia foi levantada como possibilidade no início da pandemia e consiste em tentar atingir imunidade de grupo — quando a maioria da população têm anticorpos contra o vírus — sem vacinas, através da contaminação do maior número possível de pessoas. Em pouco tempo, no entanto, estudos mostraram que a consequência dessa estratégia eram milhares de mortes.

Questionada pelo senador Renan Calheiros, Yamaguchi afirmou que defendia a imunidade de rebanho porque, no ano passado, “não se previa” novas variantes do vírus.

No atual momento, disse ela, “a imunidade de rebanho deve ser alcançada pelas vacinas.”

Yamaguchi disse que nunca discutiu imunidade de rebanho com o presidente Jair Bolsonaro.

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BBC News

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