Pandemia impulsiona e-commerce e também golpes virtuais

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A pandemia de Covid-19 e a necessidade de distanciamento social
contribuíram para que o faturamento do comércio eletrônico
avançasse 41% na comparação entre 2019 e 2020, quando fechou em R$
87,4 bilhões
, segundo levantamento divulgado no fim de março pela
plataforma de opinião Ebit/Nielsen. Se parte dos consumidores
migraram das lojas físicas para as virtuais, os golpistas seguiram o
movimento e desenvolveram novas formas de enganar os desavisados, com
uso de PIX, jogos online e “promoções” em redes como Instagram.

Houve
alta de 53% nas tentativas de golpes em transações no ano passado
ante 2019
, segundo o “Mapa da Fraude” da empresa de segurança em
e-commerce Clearsale. Especialista em direito digital e compliance,
Valéria Cheque afirma que cada faixa etária está sujeita a golpes
nos meios que mais frequentam. “As pessoas estão ficando mais em
casa, trabalhando em home office, com os jovens ficando mais tempo na
internet em jogos ou por conta das aulas virtuais, e os criminosos
veem isso como oportunidade”, diz.

O
modo mais comum é o phishing, técnica de engenharia social para
obter informações como nome de usuário, senha e detalhes do cartão
de crédito por meio de mensagens reais, conta o gerente de segurança
de informação da Everis an NTT DATA, Celso Gonzalez Hummel. “A
pessoa recebe a promoção ou endereço de um site com uma oferta
maravilhosa e cai no golpe, porque o site é falso e ela não vai
receber o produto.”

Cheque
lembra que é comum aparecerem promoções em redes sociais com
preços bem mais baixos do que o de mercado para todo o tipo de
produtos, de vestuário a eletrodomésticos. Muitas vezes, os
golpistas criam sites ou anúncios parecidos aos de grandes redes,
com endereços eletrônicos semelhantes. “Muita gente não presta
atenção, não pesquisa no site correto e não olha se os dados que
constam no pagamento são daquela empresa, que são cuidados básicos
na transação.”

Muitos
lojistas oferecem descontos para pagamento à vista por boleto e o
PIX também passou a ser uma opção, já que a transferência do
dinheiro ocorre em segundos. Hummel considera as duas formas de
pagamento seguras, mas desde que a pessoa tenha certeza de estar
pagando para o vendedor correto. “Não adianta prestar atenção se
há um cadeado fechado ao lado do endereço eletrônico da loja, se
está em https, se tem certificado digital, mas não olhar se o
identificador do PIX traz o mesmo nome e CNPJ da loja.”

O
problema do PIX é que, uma vez feita a transferência, é muito
difícil que o dinheiro seja recuperado
. Hummel diz que é comum os
golpistas usarem dados de laranjas ou mesmo de desconhecidos. Assim
que o dinheiro cai na conta de destino, o fraudador o transfere para
outros bancos ou faz o saque.

WHATSAPP

A
advogada afirma que o WhatsApp é uma das ferramentas preferidas de
golpistas, por possibilitar acesso a contatos da vítima. Ela cita
que é grande o número de pessoas que caem no golpe do “almoço
grátis”, quando um perfil de restaurante, muitas vezes de
Instagram, faz um sorteio ou promoção e pede um código enviado por
SMS para confirmar a identidade do ganhador
. Nesse caso, o código é
usado para habilitar o acesso ao aplicativo de mensagens, usado
depois para que o golpista peça dinheiro a conhecidos da vítima.

“As
pessoas não prestam atenção e não lêem os alertas que os
próprios sites e aplicativos fazem. Tenho um cliente que colocou um
som de carro para vender por R$ 3 mil em um desses sites conhecidos
para essas transações. Não deu 24 horas e uma pessoa entrou em
contato com ele pelo WhatsApp, dizendo que era do site, que o
pagamento havia sido feito e que era para despachar”,
diz. O
cliente da advogada enviou o produto e não recebeu. Foi então que
percebeu que o regulamento do site alertava que não havia contatos
pelo telefone e que era preciso verificar a aprovação do pagamento
na conta pessoal dele, na plataforma oficial do site.

PROVAS

Cheque
e Hummel fazem parte da organização sem fins lucrativos Women in
Cibersecurity (Womcy, ou Mulheres em Cibersegurança, em tradução
do inglês). Eles trabalham com peritos no Brasil e no exterior que
buscam reaver perdas de vítimas de golpes virtuais e contribuir para
o controle antifraude.

A
advogada lembra que o erro mais comum da vítima que cai em um golpe
é se assustar perante uma ameaça, ou ficar com vergonha, e apagar
conversas e contatos feitos em aplicativos ou redes sociais.
O
trabalho da equipe da Womcy é justamente assumir a identidade das
vítimas nesses contatos para gerar provas e identificar os
fraudadores.

Ela
sugere que a pessoa sempre denuncie e procure orientação legal
especializada em golpes do tipo. “A maioria dos advogados não têm
conhecimento sobre como salvar provas e pedem um
print de
tela, o que os tribunais não aceitam mais. Por isso que ferramentas
como a
Verifact
são interessantes, pela possibilidade da vítima fazer a coleta de
provas de maneira correta, assim como a ata notarial de cartório
”,
diz. Cheque.

Plataformas
como a Verifact
permitem o registro de provas de crimes cometidos na web a qualquer
hora do dia e da noite, por um preço mais baixo do que o cobrado em
cartórios. Por preservar provas digitais de forma confiável com a
utilização de técnicas periciais forenses, esses registros são
aceitos em tribunais de ao menos cinco estados brasileiros.



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